Estudo independente — O Teste #2
Autora: Joelle Charbonneau
Editora: Unica
ISBN: 9788567028347
Páginas: 318
Nota:





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O Teste
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Livros introdutórios de trilogias
não são feitos para se levar a sério. Não completamente, pelo menos. Você pode
ler, se apegar, ficar curiosa com os ganchos soltos e tudo que está incluso no
pacote, mas julgar a trilogia inteira acerca do primeiro título é o mesmo que
tirar conclusões absurdamente precipitadas. Afinal, você ainda nem cruzou pela
maldição do segundo livro. Toda aquela introdução tem que dar em alguma coisa,
né? Só lendo para descobrir...
...E continuar lendo. Eu comentei
na resenha de O teste, primeiro volume da trilogia homônima de Joelle
Charbonneau, que ainda não tinha encontrado a verdadeira distopia nessa
distopia. Não tinha encontrado a bomba, digo, o que vai estourar para que o
enredo do livro ganhe forma. O primeiro volume só delineou o governo,
aparentemente bonzinho, que peca no teste de admissão na faculdade em que morte
e fracasso são sinônimos. Era esperado, então, que em Estudo Independente, a
verdadeira opressão governamental ganhasse forma, os vilões ganhassem rosto e
tivéssemos quem odiar por motivos X e Y. Até então, não havia nada de
grandiosamente cruel acontecendo.
Não estou dizendo que matar é
correto, porém no gênero presente, não é suficiente para que haja destaque.
Liberar adolescentes para se matar numa competição que vai garantir o seu
futuro e futuro da nação? Veja bem, estamos na era de Jogos Vorazes e
Divergente, isso não é novidade. Eu esperava que nesse livro, a protagonista,
Cia, descobrisse muita coisa nova e ruim. Informações que nos fizesse odiar o
governo e torcer por uma revolução. Entretanto, para não dizer que Estudo
independente é mais do mesmo, vamos apenas comentar que o livro é bastante
fraquinho em comparação ao anterior.
Pois, desta vez, Cia já está na
faculdade. Ela já passou pelo tal teste. O que restou, foi um gravador com sua
voz descrevendo atrocidades em que pessoas, ditas confiáveis, haviam sujado as
mãos de sangue. A autora apenas delineia novos ganchos, mas continua pisando
sobre ovos. Arrisco dizer que o segundo livro introduziu mais que o primeiro, o
que não é exatamente positivo. Algumas informações extras, um pano de fundo, para,
quem sabe, no terceiro livro ocorrer a distopia de verdade. O que deveria estar
acontecendo desde o principio.
Cia tinha se mostrado uma
protagonista mais inteligente que a média nacional, você já sabe. Ela percebia
coisas silenciosas, notava detalhes escondidos e tinha um nível de observação
que, embora fossem visíveis para o leitor, personagens não costumam notar. Isso
foi divertido até um ponto, onde tudo era novidade e parte do teste, mas não
senti a mesma empolgação na continuação. A maior exposição perigosa da
personagem e seus colegas é a Iniciação da faculdade, para qual foi designada
ao curso de Governo, em que a garota continua vendo coisa onde não há e surpreendendo
por HAVER COISA SIM, MDS! É a mesma Cia superdotada aos olhos de quem lê, que
novamente ganha vantagem dos outros por ser mais esperta e gravar as lembranças
do que aconteceu no Teste.
Senti uma dificuldade em Joelle
em ousar. Parece que todos os elementos que baseiam a trilogia foram feitos
para se encaixarem completamente, o que acaba dissonando. Não há crueldade,
apenas mortes soltas que tentam incriminar alguém, mas não chocam. Uma
protagonista perfeita demais, esperta demais, sagaz demais. Um romance cuja
química não colou acima de tanta desconfiança.
Acredito que a trilogia ainda não
está perdida, pois esse foi apenas o segundo volume e eles não costumam ser
bons demais. Estudo independente deixou muito a desejar exatamente por deixar a
desejar. Desejar que tivesse mortes, que fosse opressor, que tivesse um cara
mau que desse vontade de jogar ácido sulfúrico e essas coisas que TEM QUE TER
em distopias. Não vou abandonar, mas para o terceiro e último volume, já não
vou imaginar que será um livro único e especial. Mais uma distopia. Mais uma.
Beijinhos ♥
Nunca li a serie e depois de ler a resenha me desencorajou um pouco a ler, porque sou do tipo que quer algo bom do inicio ao fim.
ResponderExcluirBeijos,
RayNeon | Raissa Galvão
Eu não li o primeiro volume ainda, mas esse segundo parece arrancar nosso couro na adrenalina, no suspense e na emoção.
ResponderExcluirParece nos deixar vidrados em cada página. Super adorei e quero ler, claro.
E essa capa está muito linda!